Como de costume irei começar relembrando momentos da minha infância.
Quando eu era pequenina meu pai sempre me dizia que devíamos ser governantes de nossas próprias escolhas, e me explicava sempre quais eram as responsabilidades de fazê-las.
Frizava sempre na mesma frase : " Não adianta querer ser adulta, filha. Nós, os adultos, sofremos muito, pois sempre temos de encarar o peso de nossas escolhas" - tentando tirar da minha cabeça o tal sonho de ser "gente grande" logo. - Mas confesso que não adiantava muito.
Eu sempre quis viver o amanhã, ao invez de gozar até o ultimo minuto do hoje. Gostava de me vestir como as meninas mais velhas, tinha as mesmas manias delas e tentava agir como tais. Não sei se é bom, ou se é ruim, mas eu nunca gostei de conviver com meninas da minha idade.
O meu pai nunca aprovou essa minha atitude, sempre dizia que eu tinha que ter as mesmas vontades das outras meninas. Que eu deveria me interessar em brincar de boneca, ao invez de querer ouvir ele discutir os problemas da casa com a minha mãe. Aliás, meu pai sempre me cobrou que eu tivesse os pés mais no chão, e eu nunca segui os conselhos dele. Achava que ele era "careta", e que na época dele, as crianças de 8 anos realmente brincavam de boneca, mas que as coisas haviam evoluído, e ele, nao conseguira acompanhar tal evolução. Bobagem!
Como eu sempre me neguei a ouvir os sábios conselhos do meu pai, ele por sua vez me incumbiu de mais responsabilidade. Conversava comigo, e me explicava os grandes problemas do mundo. As grandes dificuldades das pessoas, e as decepções que eu sofreria ao longo da vida. E mais uma vez, eu achava que era bobagem dele. Eu sempre fui muito esperta, ou pelo menos me julgava ser. Nunca imaginei que tanta coisa aconteceria em tão pouco tempo, que tantas decepções eu iria sofrer, e tantos desgostos. Vindos de todos os lados, de todas as pessoas, até das menos esperadas. E ele por sua vez, me olhava com aqueles olhos de : " Eu te avisei. "
O tempo passou, e as cobranças sempre aumentavam. A cada dia era uma nova responsabilidade, uma nova obrigação. Começaram com coisas pequenas. Assim como levar o cachorro para passear e controlar a carteirinha de vacinação. Depois, eu tinha que ajudar a minha mãe a arrumar a casa, e nao podia ter uma peça de roupa sequer fora do lugar. Assim foi aumentando a cada dia. E eu por minha vez, cumpria sempre tudo com muita excelência.
Até que ele começou a me cobrar sobre as minhas escolhas. Brigava comigo quando eu deixava de fazer alguma coisa, por não saber qual atitude tomar. Ele queria colocar em mim o peso que eu sempre quis ter sobre as costas. E eu gostava. Achava desafiador, e sentia prazer em mostrar pra ele que eu tinha me superado em mais uma tarefa.
Os anos se passaram e hoje eu sou uma mulher que continua fazendo suas escolhas. Só existe uma pequena diferença: Ele nao aceita as minhas escolhas.
Foi uma vida toda cheia de responsabilidade e de cobrança, para que eu aprendesse a faze-las, e hoje que eu sinto vontade, que eu faço por necessidade e nao por imposiçao, ele sempre vai contra. Sempre me julga, diz que eu só escolho coisas erradas, e que eu nao aprendi absolutamente nada com tudo o que ele me ensinou.
Sinceramente, eu ja estou farta de tanta contradiçao. Cada hora é um jeito, cada hora é um pai.
Acredito que ele nunca saiba realmente o que espera de mim. Se eu nao trabalho, eu nao sirvo pra nada. Se eu arrumo um emprego, o salario é pequeno demais e eu nao preciso me prestar à esse tipo de coisa. Se eu não quero estudar, eu nao estou nem ai pra vida. Se eu falo de entrar na faculdade, ele diz que nao vai gastar dinheiro atoa.
O que eu mais desejo, com todas as forças é ir embora logo. Fugir de toda essa loucura, de todo esse vai e vem de informaçoes, que sempre se contradizem no final, e que acabam me colocando louca.
Na verdade, eu só queria poder ser a Dafne. Só por um dia, só por uma noite. Só por....
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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Lindo texto, um tanto quanto revolta, mas ela é sempre boa pra mostrar pro mundo o motivo que estamos aqui!
ResponderExcluireu adoro o que voce escreve, muito!
te amo!